Deixou
Alvalade rumo ao futsal espanhol, mas mostra que a
ligação sentimental ao Sporting mantém-se
intacta. Perseguido pelo azar nesta aventura pelo país de
‘nuestros hermanos’, o guardião da
Selecção Nacional não se deixa abater.
Ganhador por natureza e um dos melhores do Mundo na sua
posição, João Benedito quer juntar mais
títulos ao seu já vasto
palmarés.
Fotos: futsalsporting.com
Rola a Bola - Vive a primeiro experiência como
emigrante, em Espanha. Face aos convites que já tinha tido
anteriormente, qual a razão da transferência para o
estrangeiro apenas se ter verificado nesta
temporada?
João Benedito – Deve-se essencialmente a uma
conjugação de factores favoráveis, entre eles,
a destacar, a concordância do Sporting.
- O facto de ter deixado o Sporting com o ceptro de
campeão nacional teve algum peso na sua decisão de
emigrar?
- Lógico que é melhor sair com obra feita. Mesmo
assim, não vejo esse factor como decisório.
- Porque optou pelo Playas de Castellon?
- Porque é um dos grandes clubes europeus, por ser um clube
que se dedica única e exclusivamente ao futsal e,
fundamentalmente, por ter objectivos de conquista de
troféus.
- Jogar na Liga espanhola era um sonho?
- Era uma vontade muito grande. O sonho tinha como conteúdo
jogar na Liga Espanhola e vencê-la.
- O facto de ter dois colegas da Selecção
Nacional, Leo e Miguel Almeida, no seu novo emblema contribuiu para
facilitar a integração numa nova realidade social e
desportiva?
- Quando cheguei o Miguel já levava seis meses neste clube
e, como tal, foi uma ajuda muito importante para que mais
rapidamente conhecesse ‘os cantos à casa’. O Leo
vive há muitos anos em Espanha e conhece muito bem a
realidade social deste país, o que se torna uma grande ajuda
na transição de hábitos e costumes. Para mais,
é sempre bom ter pessoas com quem falar a nossa
língua.
“Época não está a correr como esperaria
devido às lesões”
- Quais as principais diferenças entre o futsal
espanhol e o português?
- Existem diferenças, mas não quer dizer por isso que
o Futsal português seja pior ou que o Espanhol seja um
exemplo a seguir. Há, logicamente exemplos a seguir e erros
a não cometer. Entre as coisas boas destaco:
logística organizativa das competições;
competitividade da Liga - tanto se pode ganhar ao primeiro como
perder com o último; forma de finalizar - zonas de
finalização, potência e
colocação; o facto de os treinadores pensarem pela
sua cabeça e não se limitarem a seguir linhas de
raciocínio já existentes - estão
constantemente a inovar; e os emissores de opinião
preocuparem-se mais em valorizar o que bem se faz, em vez de apenas
se limitarem a criticar.
- No início da temporada sofreu uma lesão,
recuperou e assumiu a titularidade na baliza do Playas, mas, quando
tudo começava a correr pelo melhor, foi vítima de um
pneumotoráx. Está longe de ser a estreia esperada na
Liga espanhola…
- Esta época não está a correr como esperaria
devido às lesões. Elas têm sido o meu maior
aliado, pois não me têm largado durante a temporada, e
o meu maior concorrente, isto porque o tempo de lesão
não se resume à inactividade: há que
começar tudo de novo.
- Felizmente esse problema já foi ultrapassado e o
regresso às quadras está para breve. Como se sente
nesta altura?
- Neste momento já treino a cem por cento, estou apenas
à espera de jogar. Passa-se que, neste momento, o Playas tem
um problema com o excesso de jogadores estrangeiros. Apenas podem
ser convocados seis jogadores que não sejam
convocáveis para a selecção espanhola e
existem sete no plantel do clube, o que para mim, regressado de uma
lesão e estando o outro guarda-redes a cumprir, torna-se um
grande problema.
- No Sporting estava habituado a lutar pelo título
anualmente, enquanto que o Playas, pese embora ser um emblema de
nomeada e com títulos importantes no palmarés,
está a sentir dificuldades em garantir um lugar no play-off.
Como encara essa nova situação na sua
carreira?
- O Playas luta pelo título. Como já referi, se isso
não acontecesse não teria vindo para este clube. O
que se está a passar, dada a qualidade dos jogadores que
fazem parte deste grupo de trabalho, é
inconcebível.
- A sua equipa foi eliminada nos quartos-de-final do
play-off nas duas últimas temporadas. Qual o objectivo
traçado para esta época?
- Dadas as contingências da classificação neste
momento, o objectivo imediato é entrar nos play-off na
melhor posição possível e depois, nos jogos a
eliminar, lutar pelo título.
“Muito dificilmente jogarei em outro clube
[português que não o Sporting]”
- Continua a acompanhar o futsal
português?
- Claro que sim, até mais do que quando estava em
Portugal.
- Do que tem observado, qual é o
principal candidato à conquista do título, na sua
óptica?
- Quero que seja o Sporting. Tem uma equipa nova que não
permite ser tão regular como esperaria. No entanto, a
qualidade e competitividade dos seus jogadores tornam-na letal nos
confrontos decisivos.
- Pretende regressar ao futsal
português?
- Sim.
- O Sporting terá a sua preferência num
eventual retorno ao nosso País?
- Muito dificilmente jogarei em outro clube.
- Este ano ficará marcado pela
realização de um Europeu, a realizar em terras
lusitanas. Como anfitrião, Portugal pode almejar erguer o
ceptro do “Velho Continente”?
- Seria fantástico que o terceiro Europeu organizado pela
FPF [Federação Portuguesa de Futebol] ficasse em
Portugal. Penso que a Selecção Nacional será
uma das mais sérias candidatas. Mas há que ter sempre
em conta os grupos de acesso e os cruzamentos das
meias-finais.
- Defender a baliza nacional nessa importante
competição é o seu maior objectivo para o ano
de 2007?
- Ganhar o Europeu é o meu maior objectivo, mas não
é o único. Ainda falta muito para Novembro.
- Quais são as outras metas?
- Entre outros objectivos pessoais, destaco apenas um objectivo
colectivo: ganhar a Liga Espanhola.
“Cristiano é um grande valor do futsal
nacional”
O guardião internacional português não se
escusou a comentar a prestação de Cristiano, seu
sucessor na baliza leonina, tecendo-lhe rasgados elogios:
“Tem feito uma época fantástica.
É um dos elementos mais importantes do Sporting. O seu
desempenho está directamente relacionado com as
vitórias da equipa e sua consequente
classificação. É, neste momento, um grande
valor do futsal nacional.”
Gestão fica para mais tarde
João Benedito é licenciado em gestão e chegou
a exercer esta actividade ao serviço do Sporting. No
entanto, a possibilidade de emigrar fez com que, para já, se
dedique somente à carreira desportiva. “Neste
momento, acima de tudo, sou jogador de Futsal. Foi uma
opção que tomei e vou assumi-la até ao fim.
Nunca se pode ter tudo e quando se quer fazer tudo ao mesmo tempo
corre-se o risco de nada se fazer bem”, finaliza o
guarda-redes.



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